segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os símbolos de poder no universo de erotismo feminino

Explorar as fantasias: ir a além dessa realidade nua e crua; além da dificuldade humana de lidar cada vez menos com nossa impotência e a massificação de um eu ao invés de uma suposta singularidade total. Pisar no universo do desejo e do prazer em estado de puro êxtase. E é aí que entra o erotismo. A aparente terra de ninguém inventada e desdobrada pelo mais puro desejo de que nesse lugar se é dono, se manda, que as coisas acontecem ao nosso tempo...

Lugar de poder, o erotismo está ligado a um outro ou a vários. Figuras criadas e recriadas não por nós mesmos, mas por vários outros sociais que são incorporadas a nossa fantasia e transmuta a alguém que caiba nesta e que possa nos salvar de nós mesmo, dessa nossa impotência diante daquilo que não podemos ir contra: o emprego, a falta de dinheiro, a infelicidade, o tédio... 

Figuras que na contemporaneidade são imiscuidade de um poder que foge as tentações maniqueístas de bem contra o mal e talvez desencantada do fetiche inicial para plena aceitação com o que é queer ou quizá aparentemente bizarro. 

Dos reis, príncipes, guerreiros, líderes, bombeiros, policiais, super-heróis aos incompreendidos amores bandidos pelo boêmio que flana na noite, pelo malandro, pelo bandido de colarinho branco, pelo traficante dono da boca de fumo...O que esses grupos possuem em comum, apesar das polarizações? O suposto poder de nos salvar e mudar nossas vidas. Em algo que assinala que conosco vai se diferente, melhor...

Entretanto, se de médico e louco todo mundo tem um pouco, de bandido e mocinho não se é lá tão diferente. E o que nos resta dessas elaborações oníricas de séculos passados e que se arrastam em pleno século XXI é saber o que suportamos. Porque ainda sim ao final a escolha em qual fantasia embarcar e desembarcar é nossa. O poder em nos salvar de nós mesmos não está no outro e sim em nós e naquilo que conferimos importância e poder. Mesmo que na onda do momento de que o improvável e o estranho passa ser o certo e o certo errado. Na volatilidade das coisas o que é certo e errado mesmo hem? Me perdi para me achar...E ainda sim somos capazes de agradecer ao mundo aquilo que não alcançamos porque nosso mais íntimo desejo não é alcançar o que se quer e sim continuar desejando e assim nos movimentando e responsabilizando o que não temos, aqueles que nos impediram de levar nosso desejo a cabo: ufa! Que alívio!